1- A incompetência das elites políticas
2- A incompetência das elites empresariais
3- O peso do estado na economia
Há 10 anos atrás havia uma grande propaganda, porque já tinhamos "ultrapassado a Grécia", hoje, na maior parte dos indicadores económicos, sociais e humanos não só estamos atrás da Grécia, estamos atrás de Chipre, Malta, Eslovénia e República Checa. Estamos a ficar cada vez mais para trás a cada ano que passa.
1- A incompetência das elites políticas
Só um pequeno aparte, eu tenho um "ligeiro" conhecimento daquilo que se passa lá fora, na chamada Europa desenvolvida, que é quase sempre apontada como exemplo utópico para Portugal.
Então, lá na Europa desenvlvida, o normal não é um partido governar isoladamente, o normal é haver uma coligação de dois ou mesmo mais partidos, que governam o país sem grandes sobressaltos, durante 4 ou 5 anos. Em Portugal caem governos sucessivamente e desde as primeiras eleições legislativas livres em 1976, só houve 3 Primeiros Ministros e 4 Governos a cumprir o seu mandato atá ao fim, já estou a considerar nestes números o actual governo, que ao que tudo indica chegará ao fim. Aliás este é o único mérito que reconheço a Sócrates, o de ter conseguido levar o seu governo até ao fim. Podem estranhar que eu diga isto, porque afinal o presente governo dispõem de maioria absoluta, mas o segundo governo de Guterres, também tinha para efeitos práticos maioria absoluta (115 deputados PS + 1 deputado "comprado" ao CDS-PP, o Daniel Campelo), e nem por isso chegou até ao fim.
Lá na Europa desenvolvida, os políticos e governantes têm uma missão, que é servir os interesses do país e dos cidadãos desse país, é claro que há guerras político partidárias mas que são postas em segundo plano quando está em causa o interesse nacional. Em Portugal, a prioridade de interesses é inversa, os políticos poêm em primeiro lugar os interesses pessoais, em segundo lugar a guerrilha politico partidária e só depois vem o interesse nacional.
Lá, na Europa utópica, um político ou governante arguido ou suspeito de corrupção não tem mais qualquer hipótese, é afastado da vida política e "votado" ao ostracismo, os cidadãos desses países estão conscientes que são eles próprios a pagar a corrupção e os actos incompetentes dos políticos, seja através de impostos mais elevados ou através de perdas na sua qualidade de vida. Aqui, em Portugal, continuamos a eleger o Isaltino Morais, a Fátima Felgueiras e o António Preto. O melhor exemplo da imaturidade das nossas elites políticas é a própria Assembleia da República, aquilo mais parece uma escola de crianças, desde a cena dos cornos protagonizada pelo ex-Ministro da Economia até ao José Eduardo Martins que diz ao Afonso Candal, "ó pá, vai é mas é pró caralho!!", e nem sequer é punido. Podiam dar-lhe pelo menos uma penalização simbólica, como é apanágio no nosso país quando se trata de punir individualidades, nem isso, e para cúmulo o senhor Martins ainda vem no dia seguinte interpretar o papel de virgem ofendida, um teatro só possível em Portugal...
Nessa Europa avançada as políticas são planeadas a longo prazo, em Portugal as políticas têm por base os 4 anos do ciclo eleitoral sendo revogadas assim que muda o governo.
2- A incompetência das elites empresariais
Em Portugal os empresários são na sua maioria burros, isto é têm no máximo o 9º ano. Talvez por isso, têm grande aversão à inovação e dedicam-se quase sempre aos sectores tradicionais do comércio, restauração, construção civil e afins. O risco não é muito grande e a margem de crescimento é mínima. O seu mercado de eleição é o mercado interno, nada de aventuras no estrangeiro. Não empregam licenciados ou mestres porque desvalorizam a formação, o mérito, ou a iniciativa pessoal dos seus colaboradores, além disso têm muito medo que os licenciados descubram os "podres" das suas empresas.
3- O peso do estado na economia
Há uns anos Cavaco Silva aludindo à dimensão do Estado, falava no "monstro". Em Portugal os particulares e as empresas estão afogados em impostos. Quase metade da riqueza gerada na economia real é "sugada" pelo Estado. Segundo o Eurostat nos últimos 3 anos, o racio orçamento de estado/PIB foi de 46%. Isto significa que em cada 100 euros gerados na economia real o Estado vai buscar 46 euros. Sempre que tu sacas da tua carteira estás a pagar impostos, alguns desses impostos que pagas nem sabes que existem. Esse dinheiro será para, entre outros fins, pagar as consequências da corrupção e financiar os tachos dos "boys and girls" que entraram para a função pública não por mérito, mas porque tiveram a cunha.